Perto Como - Guta Naki

Guta Naki

Perto Como

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01 Ikari
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02 Ainda Não Sei
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03 Onde Ela Mora
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04 O Meu Amor É Índio (Pavane para um Moço Morto)
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05 TuNunca
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06 Ana
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07 Terra de Ninguém
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08 O Homem Que Dança
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09 Todas As Tuas Memórias
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10 Zeferino
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11 Acreditava no Nada
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"Perto Como - fazer do distante, o perto; fazer do perto, o alimento;
como? exercitando a aproximação;
como? comendo.

Este disco começou com a imaginação de uma forma, uma estrutura de círculos entrecuzados, onde cada uma das linhas que traçavam os círculos e as suas intersecções, delimitavam uma canção de estrutura mais aberta, ou livre, desembocando noutra canção de estrutura mais fechada sobre si própria, talvez mais redonda.
Este começo mais matemático não serviu como limitação, mas como ponto de partida para um processo que já tinha começado no primeiro disco, ou seja, foi pela observação de um processo não-premeditado do passado, que prosseguimos em aprimorá-lo, agora em consciência, e aquilo que no primeiro disco fizémos por intuição, fizémos agora com essa intuição como guia.

Se no primeiro álbum as canções se relacionavam como abismos, neste segundo, cada uma delas os testemunha, como se cada canção fosse ensaio de um pequeno sistema, espelho de um sistema maior.

Esses abismos apresentam-se agora mais subtis, num processo mais gradativo.
Assim, expandindo o espectro emocional (mais em largura do que em comprimento), explorámos as emoções que as músicas transportam de forma mais detalhada, aumentando a ambiguidade, tornando-a ao mesmo tempo mais diluída, mais invísivel.

Se o mundo é grande e o meu coração muito menor, é preciso encontrar o que nele cabe, como cabe, quais as possibilidades, é um processo de rendição ao afecto, rendição ao improvável. O exercício será despadronizar o coração, e isto é mais que tudo, um posicionamento político.

Escreve a Júlia Hansen:
"Como faço para ter aquilo que já tenho?
Se é gratuito, amor.
Ter uma língua, abrir-se."

E mais, ter "Um coração que não tivesse centro."

Este disco quer ser para as distâncias um trampolim, fura o espaço e o tempo, e no salto, na volta da cabriola, por quem me tomam? O que eu quero é o encontro.
E o que é a camuflagem de um animal num espaço, senão o seu sentido estético, o puro deslumbramento.


Texto de Cátia Sá Pereira aka C. Sá.
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