Apneia - Peixe

Peixe

Apneia

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01 Walking
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02 Viagem
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03 Escape
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04 Apneia
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05 Pára de ser Sentimental
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06 Mau Tempo
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07 Improvisação #1
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08 Chuva
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09 Prelúdio
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10 Pêndulo
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11 Improvisação #125
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Há música que nos ensina a suster o respirar, como se o corpo pudesse.
E nessa cedência já tranquila,
depois da intempérie, da luta,
No momento em que o corpo calmo se esquece de si e
vê o profundo das águas,
O homem transmutado ouve o silêncio surdo e quieto
ele expira um sopro quase antigo, testemunho de todos os que se atreveram ao mergulho
um mergulho, um ensaio.
um corpo mede-se pela distância que vai desde as mãos ao respirar
um corpo mede-se entre a espera
entre a tempestade e a bonança.
Quando a respiração se sustém e a guitarra é o último reduto, capaz de prolongar para fora o mar que o homem tem dentro da cabeça.
Reviews
13 Nov 2012 Bodyspace
O que se pode ouvir em Apneia é, do início ao fim, um belíssimo conjunto de composições para a guitarra acústica. Na solidão do encontro entre o homem e a guitarra, sem grandes convergências estilísticas (apenas o fingerpicking vem à cabeça aqui e ali), Pedro Cardoso, entre a melodia mais harmoniosa e uma certa atonalidade, assina um disco não raras vezes deslumbrante.
“Apneia”, o tema que dá título ao disco, é um exemplo significativo – entre vários possíveis - do sucesso de Peixe nesta sua estreia solitária. Não só passa cá para fora o intimismo criativo entre o homem e a guitarra (a certa altura ouve-se a respiração do próprio executante, algo que acontece regularmente neste disco), como a capacidade de Pedro Cardoso de escrever narrativas verdadeiramente tocantes. Como as boas coisas na vida, Apneia é um disco para se ir deixar crescendo. Sem pressas, sem obrigações. 
André Gomes
23 Ago 2012 Revista Sábado
Em Apneia, o guitarrista da mítica banda portuense mergulha numa obsessão melódica. Tendo como exclusiva companheira nesta viagem sonora uma guitarra, em jeito acústico, Peixe revela uma capacidade ímpar para a manipular, moldando a sua música com a mesma facilidade e entusiasmo com que uma criança constrói e desconstrói as suas personagens de plasticina.
Inicialmente, Apneia parece aproximar-se da sonoridade dos Dead Combo, mas afasta-se do diletantismo característico desta banda, enveredando antes por uma linguagem mais metódica e rigorosa, quase matemática - como se todas as notas tocadas por Peixe se encadeassem numa lógica abstracta, que transcende a composição.
Filipe Lamelas
11 Ago 2012 Expresso "Atual"
O que, na verdade, começa por insinuar-se é outra coisa: alguém que toca guitarra como quem soletra. Quer dizer: como quem aprende a ler. Nada há de depreciativo nestas considerações. Porque as suspeitas de algo de 'anormal' evocam o 'antes e depois da ciência', com que o 'renascido' Eno se saiu nos dias em que sentia latejar veia de profeta. E também não há que esperar muito para se ganhar consciência de que Bach e Paredes já foram visita dos pavilhões auditivos de quem assim toca. De olhos fechados, distingue-se o encanto das figuras imprevisíveis - onde a forma vence a cor, como se fosse a geometria 'quem mais ordena' - geradas por um espírito singular. Aqui, já convém abrir os olhos: para que - imbuído da música - o ouvinte 'veja' as 'portas da perceção' abrir-se à sua frente; e compreenda que não é de simples 'singularidade' que se trata mas, sobretudo, de inquietação. De quem receia deixar de respirar, quando tanto fica por dizer. Daí esta simbiose única de poesia e de disciplina do ato de respirar. Embora saiba que o segredo é outro: 'há música que nos ensina a suster o respirar'.
Ricardo Saló
03 Ago 2012 Ipsílon
Apneia é, passe o trocadilho com o título, um mergulho para dentro, para uma escuridão árida que não suspeitávamos poder habitar Peixe. Em matéria de discos portugueses ancorados em guitarra acústica solitária, Peixe surge-nos mais próximo das experiências de Tó Trips quando se afasta momentaneamente de Pedro Gonçalves e dos Dead Combo do que de Norberto Lobo ou Filho da Mãe. É profundamente telúrico ('Pára de Ser Sentimental' cheira a terra transmontana), escuro, nos melhores momentos ('Mau Tempo' ou a eléctrica 'Pêndulo') lembra o Neil Young da banda sonora de Dead Man, obsessivo não a um ponto hipnótico mas antes repisando em terrenos de uma melancolia marcada por uma suave bizarria.
Gonçalo Frota
31 Jul 2012 Blitz
Apneia, o primeiro a solo, é talvez, de todas as suas aventuras, a que mais nos toca: sozinho com guitarra e sem voz, excetuando o sample na contemplativa 'Viagem', Peixe oferece peças com cheiro a estrada americana ('Escape', 'Apneia'), quase sempre reminiscente do 'fingerpicking' yankee mas lembrando, também, o fustigar de cordas de Norberto Lobo ('Improvisação #1') ou o calor dos Dead Combo ('Pêndulo'). Um disco que nasceu 'por acaso', mas revela grande coragem e talento.
L.P.
25 Jul 2012 Jornal de Letras
A opção de Peixe nesta Apneia de seis cordas aproxima-se mais de Norberto Lobo e José Peixoto. Há um sentido verdadeiramente clássico nestas divagações ordenadas, como é visível num percurso crescente, quase naif, de viagem, a que se adiciona a narração de um texto eminentemente futurista. Curiosa esta abordagem melancólica da guitarra para um elemento de banda rock. Em nenhum momento, Peixe nos faz sorrir ou transbordar de energia. O seu estilo aproxima-se de uma outra banda amiga de Portugal, os Durutti Collumn. Apesar de estar longe da canção de Lisboa, estas melodias bem tricotadas evocam o mesmo tipo de sentimento do fado. E, em geral, desenha-se nos tons menores da tristeza. Vale a pena ir ao fundo.
Manuel Halpern
06 Jul 2012 SAPO Música
Um projeto de liberdade sossegada, longe da construção convencional por que as músicas passam, uma confissão melancólica. É para quem ainda tiver tempo de quebrar o ritmo frenético do quotidiano.
São inevitáveis comparações com Filho da Mãe ou Norberto Lobo. Ao contrário destes dois dos mais entusiasmantes guitarristas da nossa praça, Peixe não nos arrebata com entradas de rompante ou variações de intensidade bem desembaraçadas. Os três convergem, ainda assim, no som refinado.
Como todas as boas obras, revela pormenores valiosos em cada nova audição. Peixe escapa às análises mais prontas pela falta de letras. Mais do que isso, para além da métrica, há notas que não se podem digerir de forma apressada e leviana. Valem a pena os minutos de contemplação ao trabalho de quem se atreve a nadar fora do cardume.
Pedro Pereira
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