Foi amor à primeira vista. Doce, enigmático, pleno de curiosidade e de rasgos patológicos que roçaram a obsessão. Aliás, apenas me acalmei quando finalmente, mais ou menos duas semanas depois, consegui o CD e pude deixar as ‘Wikis’ e os ‘Tubos’ e declarar a minha paixão incondicional, fortalecida faixa após faixa, palavra após palavra, nota após nota.
O ambiente é contagiante, é escuro, por vezes minimal, por vezes caótico. Nele viajam sentimentos sinceros que escolhem as palavras com cuidado, sentimentos que crescem, que explodem, mesclando-se numa nostalgia portuguesa e numa irreverência independente deveras sem identidade, mas basta de rótulos, odeio rótulos, odeio prateleiras e organização e Guta Naki está longe de tudo isso. Estão simplesmente perto de eles próprios e com isso atraem-nos para os escutar.